UBERABA, 31 DE MARÇO DE 2004
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PONTO E VIRGULA

Francisco Marcos Reis

virgula1@terra.com.br

A renúncia

O secretário de Obras, Osório Guimarães Neto, deixou o cargo nesta terça-feira. A única certeza que se tem é que ele é candidato, resta saber se a prefeito ou a uma cadeira na Câmara.

A ambição

Muitos apostam que a renúncia ao cargo de secretário de Obras esconde ambição um pouco maior. Ele e o amigo Marcos Montes sabem que a costura para uma candidatura à PMU tem seus complicadores.

O poder

A Secretaria de Agricultura é mesmo da Certrim. Com a transferência de José Luiz para a Secretaria de Obras, o presidente da entidade, Luiz Henrique, assume o cargo de secretário da Agricultura.

O recurso

A chapa de oposição à candidatura de Mariano Leite no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais vê "abuso do poder econômico" na campanha, que tem a cor vermelha como símbolo.

Pressões

A chapa que tem o servidor Campos como candidato distribuiu jornal nesta terça-feira aconselhando os servidores a não aceitarem pressões de superiores e lembrando que o voto é secreto.

A fissura

A fissura que separa os deputados estaduais Fahim Sawan e Paulo Piau se amplia, apesar das tentativas do governador Aécio Neves em pacificar a base de apoio em Uberaba.

A queixa

A Comissão de Ética da Assembléia ainda examina queixa de Paulo Piau contra o colega Fahim. O motivo da queixa ainda continua nebuloso, mas envolve questões paroquiais.

No índex

Se depender da Câmara, a trapalhada envolvendo o presidente e uma publicitária vai para o índex. Depois de comemorar o acontecimento com uma jogada de mestre, a ficha caiu.

A cena

Depois do entusiasmo inicial, os articuladores da cenadescobriram que o desgaste ficou quase todo com a Câmara. Isto porque evidenciou problema em licitação na casa.

A briga

A briga, no entanto, prossegue. Segundo amigo especializado em Câmara, a se manter o conflito, o Legislativo poderá contratar prestador de serviço em regime especial para prestar o serviço.

A alternativa

A contratação pode ser feita através de carta-convite, desde que o orçamento destinado ao serviço se atenha aos limites previstos em lei. Ou seja, menos publicidade em ano eleitoral.

A inauguração

Ao mesmo tempo em que tenta apagar o incêndio, o presidente da Câmara se entusiasma com mais uma inauguração. Ele vai entregar a reforma do anexo. Uma obra que custou R$ 225 mil.

O negócio

O período pré-eleitoral começa a mobilizar os prestadores de serviço. Empresas especializadas em confeccionar adesivos já ampliam a capacidade de produção para atender à demanda crescente.

O show

O promotor de shows Tonico Carvalho já começa a receber consultas sobre valores de shows que irão ilustrar os comícios. Um dinheirão rola em torno da ambição de ser prefeito.

* Quem teve a oportunidade de assistir pelo menos a uma parte do depoimento do ministro Antônio Palocci, na Comissão de Economia do Senado, percebeu que a tensão política do momento em parte é jogo de cena.

* Na cena da TV o debate transcorreu com a serenidade suspeita daqueles que compõem os mesmos interesses. As evidências das cortesias protocolares indicam algumas verdades latentes.

* O PSDB não gosta do governo Lula, mas gosta da gestão econômica do ministro Antônio Palocci. Até histérico senador Arthur Virgílio pareceu cordato e confortado com a sonolência explicativa do ministro.

Hoje, 31 de março, 40 anos depois. O tempo passa com uma celeridade impressionante , fazendo fatos e fotos parecerem cenas de filmes ou imagens desbotadas numa parede igualmente imaginária. Os generais, os soldados, os bate-paus do regime militar, as vítimas sobreviventes, aqueles que caíram nos porões da tortura, os parentes que não puderam sepultar seus mortos vivem conflitos das consciências desejosas em validar condutas, justificar atitudes e, se possível, esquecer o sangue que rolou em bicas. Sei que a construção da história, às vezes, exige distanciamento para permitir a isenção do relato, como sei também que a verdade pertence à emoção resultante do sofrimento.

Hoje, 31 de março de 1964, é uma data quase apagada na consciência institucional brasileira, como uma nódoa apagada na roupa com remendos, que embora grotescos, escondem rostos tosquiados pela força da violência do Estado com seus "canhões". Se não fossem os esforços isolados de historiadores, jornalistas e sobreviventes, a história seria contada apenas na superfície . Não podemos esquecer que ela é filha da memória e sem a qual não é possível conduzir o fio-terra da civilização ao destino que dela se espera. No caso do golpe, estes 40 anos chegam para levantar a cortina, para dissipar a névoa que ainda mantém porões lacrados e cadáveres enterrados em cemitérios distantes, cujas famílias ainda aguardam pela missa do sétimo dia.

Quando penso nesta cena macabra, surge um trecho do verso de Garcia Lorca, sobre um menino em um "cemitério distante que chora a paisagem seca sobre seus pés". A desolante solidão daqueles jovens e até mesmo daqueles soldados bestializados pela "guerra" dos confins revela a face cruel de uma realidade marcada pela derrota de uma geração de pessoas. Um dia estes corpos sairão destas tumbas, das covas clandestinas em que foram plantados, para se incorporar ao necrotério das vítimas reconhecidas, pertencentes a um tempo de cólera, de exageros e de violência.

Hoje, dia 31, muitos jornais completarão a discreta seqüência de reportagens sobre o Golpe de 64. Páginas com fotografias e textos imprecisos farão relatos sobre um certo momento da vida brasileira que só agora, 40 anos depois, ressurge ainda de forma discreta, oferecendo a visualização da trágica escolha de uma sociedade manipulada por interesses . Os generais, os comunistas radicais, os militantes iludidos, os torturadores, os delatores sobrevivem hoje nos relatos da história, que esperamos seja justa com todos eles.


 
 
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